Pois é...sabe o que é?

by cursovilabrasil on 11/02/2016 No comments

Na mesma linha do meu post sobre a expressão pois não, “pois é” também é outra expressão muito usada aqui no Brasil e mais simples de ser entendida e usada. Costumo dizer nas minhas aulas de português para estrangeiros que “Pois é” é uma expressão que utilizamos para concordar com algum comentário ou preencher um vazio na comunicação, ou seja, você fala “pois é” quando não tem mais nada importante, consistente ou útil para dizer. Essa expressão é muito comum em conversas de elevador, com aqueles vizinhos que você só cumprimenta por educação e fala sobre o tempo:

– Hoje ta muito quente, né?

Pois é… (é verdade…)

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Pontuação em português: qual é a importância?

by cursovilabrasil on 02/11/2015 No comments

O valor da pontuação em português

Um homem rico, sentindo-se morrer, pediu papel e pena, e escreveu assim:

Deixo os meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres”.

Não teve tempo de pontuar – e morreu.

A quem ele deixava a fortuna que tinha? Eram quatro os concorrentes.

Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do bilhete:

“Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate! Nada aos pobres!”

A irmã do morto chegou em seguida, com outra cópia do escrito; e pontuou-a deste modo:

Deixo os meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho! Jamais será paga a conta do alfaiate! Nada aos pobres!”

Surgiu o alfaiate que, pedindo a cópia do original, fez estas pontuações:

Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres!”.

O juiz estudava o caso, quando chegaram os pobres da cidade. Um deles, mais sabido, tomando outra cópia, pontuou-a assim:

Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres.”

 

Se você achava que a pontuação em português não era importante. Cuidado com documentos importantes! =)

 

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Diminutive in Portuguese: why it is important to know what it is and how to use it

by cursovilabrasil on 23/10/2015 No comments

[styled_title]Diminutive in Portuguese: why it is important to know what it is and how to use it[/styled_title]

 

How to use the diminutive in Portuguese

Many students are left in doubt as to the use of the diminutive in the Brazilian Portuguese, but the Brazilians are known worldwide  for the diminutive in their daily vocabulary. Anyone has once heard or said: -“A ‘little’ coffe (cafezinho), please”; -” Just a ‘little’ minute (minutinho)“; “Rapidinho” (diminutive for “fast”); -“Just a ‘little’ little” (pouquinho)

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Do you remember the Coca-Cola video during the World Cup? It talked about this characteristic of ours in a playful and relaxed way. (We all speak “portuguesinho”). It is important to emphasize that the use of the diminutive in Portuguese doesn’t always indicate a decreased size. It all depends on the context: it can be the manifestation of the speaker’s emotions and intentions.

The main morpheme of the Portuguese for forming the the diminutive is -“inho(a)”. However, we have some other forms, like for instance, my dad, in a loving way, always calls me “filhota” (-ote), which means daddy’s girl, mama’s girl, babygirl, etc.

Some examples of the diminutive in Portuguese:

casinha

1 – Casinha* (little house): two friends meet and one of them invites the other to go to her “casinha” (it is a diminutive that expresses affection, coziness). Her friend, as they arrive, realizes it was actually a very large house and says: “What a ‘little house’, huh…”

cafezinho

2 – Cafezinho* (little coffee): sometimes we envite someone over for a “cafezinho”, but we actually mean a snack or a large cup of coffee. (And sometimes it is only an excuse for a get together).

 

*We saw the words casinha and cafezinho. When do we use -s and when do e use -z? It’s simple! When the word is written with the letter -s (casa, mesa [table]…), we keep the letter for the creation of the diminutive (casinha, mesinha [little table]). If the word doesn’t have the letter -s, then the diminutive will be written with -z.

We can also use the diminutive in Portuguese to soften a situation. For exemple, the students always get a little frightened when they hear the word prova (test). So, to reduce this fear caused by the word, we say “provinha” (little test). (Wether it’s a large test or not… LOL)

atenção

 

We must be careful with the use of some of the words in the diminutive, because in certain situations they may cause embarassments or even offend or hurt people.

Example:

1 – Professorinha (little teacher): “I didn’t like that new ‘professorinha’.” In this case, the diminutive expresses irony, contempt or even a dislike. (It will all depend on the intonation used to say the word).

The diminutives must always be analyzed taking into account, as stated earlier, the context and intonation used, as this is the only way to know its meaning exactly.

2 – Coisinha (little thing): “What a cute coisinha (little thing) this (little) baby outfit!” X “They argue for every coisinha (little thing)!”

Do you want to practice your Portuguese with us?
Send an email to contato@cursovilabrasil.com.br and schedule a free sample class! 

Teacher Aline Simo

Translation by Flora Aggio

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Como usar o imperativo no Português do Brasil

by Aline Simo on 13/09/2015 No comments

 


COMO USAR O IMPERATIVO NO PORTUGUÊS DO BRASIL. APRENDA A DAR UMA ORDEM SEM PARECER GROSSEIRO.

 

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Você sabe como usar o Imperativo no Português do Brasil?  Vamos ver… Na língua portuguesa, temos três modos verbais:

  • Modo Indicativo: quando o verbo indica uma certeza, uma realidade, algo que de fato acontece, aconteceu ou acontecerá.
  • Modo Subjuntivo: quando o verbo indica dúvida, possibilidade, ou seja, não exprime certeza de que realmente a ação verbal é um fato consumado.
  • Modo Imperativo: quando o verbo indica uma ordem, um pedido, uma sugestão.

O modo IMPERATIVO expressa uma ordem, pedido, recomendação, alerta, convite, conselho, súplica, etc. Embora a palavra imperativo esteja ligada a essa ideia de ordem, nem sempre usamos com esse sentido. Quase sempre, nossa intenção, ao utilizá-lo é estimular alguém a cumprir a ação indicada pelo verbo (mas também usamos o imperativo para proibir, rogar e convidar).

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Até agora está bem fácil, né? Então vamos para a prática!

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Como usar o Imperativo no Português do Brasil?

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O imperativo se divide em afirmativo e negativo e exprimem:

a) ordem ou comando:

Façam  depressa!

b) exortação, conselho:

Não olhe para trás.

c) convite, solicitação:

Venha ver!

d) súplica:

Não me deixe só, meu filho!…

e) ordem:

Saiam da chuva, meninos!

“Na língua portuguesa falada no Brasil – ou seja, na linguagem coloquial brasileira -, o pronome você praticamente derrotou o tu. Muitas vezes, no entanto, as duas formas de tratamento se misturam na frase, causando erro, o que se torna cada vez mais comum quando utilizamos o modo imperativo. Uniformidade de tratamento”

 Atenção!
No Brasil evitamos o uso do Imperativo para não parecer que somos grosseiros ou mandões. Damos preferência pelo modo Indicativo.

Podemos observar abaixo:

a) Não faz isso, menino!

b) Vem ver!!!

c) Sai da chuva, menino…

Observação: Receitas também costumam estar no modo Indicativo.

 

Gostou de aprender como podemos utilizar o modo Imperativo no Português do Brasil? Envie um e-mail para contato@cursovilabrasil.com.br e agende uma aula experimental gratuita!

Professora Aline Simo
 

Aline SimoComo usar o imperativo no Português do Brasil

Diminutivo em português, você sabe como usar?

by Aline Simo on 20/08/2015 No comments

 como usar o diminutivo em português

COMO USAR O DIMINUTIVO EM PORTUGUÊS?

Muitos alunos ficam em dúvida quanto ao uso do diminutivo em português do Brasil, porém os brasileiros são conhecidos mundialmente pelo uso do diminutivo em seu vocabulário cotidiano. Quem nunca ouviu ou falou: -“Um cafezinho, por favor”; -“Só um minutinho”; -“Rapidinho”; -“Só um pouquinho”…diminutivo em português

Vocês se lembram na época da Copa do Mundo do vídeo da Coca-Cola? Nele, falavam dessa nossa característica de forma lúdica e descontraída. (Todos Falamos Portuguesinho). É importante ressaltar que o uso do diminutivo em português nem sempre indica a diminuição do tamanho. Tudo irá depender do contexto: pode ser a manifestação da emoção e das intenções do falante.

O principal morfema da Língua Portuguesa para formação do diminutivo em português é -“inho(a)”. Porém temos outras formas, como por exemplo, meu pai para ser carinhoso sempre me chama de filhota (-ote(a)), que quer dizer filhinho(a).

Alguns exemplos do uso do diminutivo em português:

 

casinha - diminutivo em português

1. Casinha*: Duas amigas se encontram e uma delas chama a outra para ir a sua “casinha” (seria um diminutivo afetuoso, de aconchego). A amiga ao chegar, e perceber que era na realidade uma casa muito grande, exclama: -“Que casinha, hein…”

 

cafezinho - diminutivo em português

2. Cafezinho*: às vezes convidamos alguém para um “cafezinho”, mas na realidade é um lanche completo ou uma grande caneca de café. (E algumas vezes somente uma desculpa para podermos conversar um pouco de forma descontraída).

*Vimos as palavras casinha e cafezinho. Quando usar -s ou -z? É muito fácil! Quando a palavra for escrita com a letra -s (casa, mesa…), nós devemos manter essa letra para a formação do diminutivo (casinha; mesinha). Se a palavra não tiver uma letra -s, então a formação do diminutivo será com -z.

Também podemos utilizar o diminutivo em português para atenuar uma situação. Por exemplo, os alunos sempre têm um certo medo quando ouvem a palavra prova. Então, para diminuir este pavor causado pela palavra, dizemos “provinha”. (Podendo ter várias páginas, ou não… Rsrsrsrs)

atenção

Devemos tomar cuidado com o uso de algumas palavras no diminutivo, porque em determinadas situações poderia causar constrangimentos ou até mesmo ofender as pessoas e magoá-las.

Exemplo:

1. Professorinha: Eu não gostei daquela nova “professorinha”. Nesse caso o diminutivo revela ironia, desprezo ou até mesmo antipatia. (Tudo irá depender muito também da entonação utilizada para dizer a palavra).

Os diminutivos sempre deverão se analisados levando em consideração, como dito anteriormente, o contexto e a entonação usada, pois só assim se terá a noção exata de seu significado.

1. Coisinha: “Que coisinha mais linda esta roupinha de bebê!” (roupa de bebê) X “Eles brigam por qualquer coisinha” (motivo)

 

Quer aprender mais sobre o uso do diminutivo ou outro ponto gramatical?
Envie um e-mail para contato@cursovilabrasil.com.br e agende uma aula experimental gratuita!

Professora Aline Simo

Aline SimoDiminutivo em português, você sabe como usar?

Conheça as palavras de origem tupiguarani que hoje fazem parte do português

by cursovilabrasil on 04/08/2015 No comments

[styled_title] Conheça as palavras de origem tupiguarani que hoje fazem parte do português[/styled_title]

Você sabia que milhares de palavras de origem indígena foram incorporadas à cultura brasileira e nós as utilizamos cotidianamente muitas vezes sem percebermos sua origem?

O Dicionário ilustrado TupiGuarani é uma obra em constante aperfeiçoamento que busca resgatar a origem e dar maior visibilidade a essas palavras genuinamente brasileiras. Para os elaboradores do dicionário, conhecer a origem dessas palavras é conhecer melhor a própria história do Brasil, que começou milhares de anos antes da chegada dos colonizadores e que precisa ser redescoberta e contada de forma diferente no futuro.

Saiba mais sobre o projeto Dicionário TupiGuarani:

www.dicionariotupiguarani.com.br

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Acervo online com milhares de fotos que contam a história do Brasil

by cursovilabrasil on 02/07/2015 No comments

[styled_title]Acervo online com milhares de fotos que contam a história do Brasil[/styled_title]

 

O Portal Brasiliana Fotográfica reúne mais de duzentas mil fotos digitalizadas em alta resolução que contam a história do Brasil. Com a internet, momentos históricos do Brasil com riqueza de detalhes impressionante agora são muito fáceis de serem acessados!

Assista à resportagem sobre o Portal Brasiliana Fotográfica, apresentada pelo Rede Globo.

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Jogo dos erros gramaticais

by cursovilabrasil on 29/06/2015 No comments

[styled_title]Jogo dos erros gramaticais[/styled_title]

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O Portal Educar para Crescer criou um jogo para aquelas pessoas que querem testar seus conhecimentos de gramática do português. É um jogo muito interessante! Ele aprensenta 5 níveis de dificuldade e após cada resposta ser enviada, aparece uma explicação sobre a regra. O legal é que mesmo se você acertar a pergunta, o jogo te explica o motivo de a resposta certa ser aquela! Vale a pena!

Quero jogar!

 

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10 Coisas para Fazer no Final de Semana em Brasília

by cursovilabrasil on 04/06/2015 No comments

[styled_title]10 Coisas para Fazer no Final de Semana em Brasília[/styled_title]

Se você ainda não tem programação para este final de semana, este post é especialmente para você! Confira aqui 10 coisas que você poder fazer para dar uma animada e sair da rotina!

01 – A Rua é Nossa II – Dia 04 de junho vai rolar a Rua É Nossa II comemorando 1 ano da Urukombi. A partir das 15h na comercial da 408 norte. Confira!

02 – Hambúrguer na Calçada – Seguindo a tradição das quintas-feiras, o Hambúrguer na Calçada, além dos sanduíches, contará com menu de comidas típicas caipiras. Dia 04 de junho, saiba mais!

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03 – Programação de Food Truks – Quer saber aonde os Food Trucks estarão essa semana? Confira a programação de cada um.

04  – Hipnomagic  – é uma apresentação inesquecível, para conhecer e explorar os limites da mente com a Hipnose e seguir além deles com o Ilusionismo. O Espetáculo acontece de 06 a 27 de Junho e de 11 a 26 de Julho. Confira!

05 – Festa Joanina – Nos dias 5 e 6 de Junho tem Festa Joanina no Minas Brasília Tênis Clube. Não perca.

06 – PicniK – estende pela primeira vez sua duração para dois dias, 6 e 7 de junho,  e realiza Festival de bandas autorais alternativas com nomes de peso local, nacional e internacional.

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07 – Cinema – Que tal aproveitar o feriado curtindo um cineminha?! Confira os horários dos cinemas da capital e aproveite!

08 – Chá da Alice – No dia 06 de Junho tem Chá da Alice Edição Charraiá na Victoria Haus Brasília. Não perca.

09 –  Relatos Não Oficiais Sobre o Andar 43 – Aos sábados e domingos de 30 de maio a 14 de junho acontece o espetáculo Relatos Não Oficiais Sobre o Andar 43 no Espaço Cena. Confira!

10 – Festa Junina 2015  – Fique de olho na programação atualizada e não perca nenhuma oportunidade de comer aquela canjica quentinha! Confira o calendário!

Fonte: http://brasilia.deboa.com/dicas-descontos/10-coisas-para-fazer-no-final-de-semana

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Você sabia que o arroz doce tem origem africana?

by cursovilabrasil on 04/06/2015 No comments

[styled_title]Você sabia que o arroz doce tem origem africana?[/styled_title]

Arroz doce“O português com seu gênio de assimilação trouxera para sua mesa alimentos, temperos, doces, aromas, cores, adornos de pratos, costume e ritos de alimentação das mais requintadas civilizações do Oriente e do Norte da África. Esses valores e esses ritos se juntaram a combinações já antigas de pratos cristãos com mouros e israelitas (…)”.   

(Gilberto Freyre in Manifesto Regionalista,1926.)

 

Um dominante conceito de mundialização está em Gilberto Freyre, especialmente quando se trata das comidas, dos seus processos culinários e dos rituais de servir e de comensalidade; pois ele escolheu a comida, e seus complexos processos e símbolos, como um dos seus mais estimados métodos para interpretar o brasileiro.

Gilberto sempre notabilizou o homem muçulmano (mouro) na formação brasileira, e na construção da civilização Ibérica, principalmente nas bases culturais e sociais de Portugal.

Desta maneira, o nosso colono oficial português já trazia uma formação afro-islâmica que estava presente na comida, na estética, no idioma, na música, na arquitetura; e em tantos outros temas que marcantes que determinaram as nossas características de povo.

Dessas tradições luso-muçulmanas, chegam elaboradas técnicas culinárias, ingredientes, receitas; e a valorização estética das comidas e dos utensílios da mesa, havendo uma grande importância nos rituais da comensalidade. Tudo isso passa a marcar os nossos hábitos e preferências alimentares, e consequentemente na formação de nosso paladar.

É o caso do tão querido e popular “roz bil halibi”, o nosso arroz doce.  Sobremesa do cotidiano, comum, que pode ser enriquecida com leite de coco, raspas de limão, gemas de ovos; e, muita, muita canela para enfeitar o prato, para dar gosto e cheiro.

O arroz, ainda quente, na travessa ou prato, é pulverizado com a canela, que exala o perfume do Oriente. Canela vinda do Ceilão, da Índia.  E o açúcar, sim, muito açúcar, pois, tradicionalmente a nossa doçaria é muito doce, nossos preparos são dulcíssimos, o que afirma uma civilização dominante da cana sacarina no Brasil.

Assim, o nosso arroz doce, cujas receitas nacionais nascem da tradição do norte da África, aproxima-se também de outros processos culinários como misturar o leite, o arroz e o açúcar, na milenar e tradicional cozinha indiana; com o pongal ou makar-sankranti e o kheer, pratos oferecidos no festival Jyaishtha Ashthami.

A canela possibilita criar no arroz doce elementos visuais, desenhos, numa estética para ser saboreada. Ainda, pode-se realizar desenhos impressos com o uso da técnica do ferro quente colocado sobre camadas generosas de canela [o que faz exalar o aroma dominante que anuncia o doce, o prazer da comida doce]. Lembrança do deliciosocrème brulee; também alvo de uma camada crocante feita pelo emprego deste ferro, que é um utensílio culinário especial, ou se pode usar o contemporâneo maçarico culinário. Gilberto Freyre também é um apreciador declarado do arroz doce feito com leite, baunilha, açúcar, e muita canela.

Falo agora das minhas lembranças familiares que se repetem sobre grandes travessas de louça, branca e grossa, que recebem o generoso arroz doce, úmido, quase papa, pontuado também com cravos da Índia, além de um banho intenso de canela.

As receitas tradicionais do arroz doce da cozinha Magreb traz também o maa al wared –essência aromática de água de rosas –, e/ou o maa el zahar – essência aromática de água de flor de laranjeira –, o que adiciona aromas e sabores especiais. É uma assinatura da África muçulmana e mediterrânea.

Trago uma receita do “roz bil hahlib” do Norte da África que atesta uma sofisticada cozinha, coerente ao que há de mais contemporâneo e “fashion” na gastronomia globalizada.

  • 1000ml de leite, 1chícara de chá de arroz, 500g de açúcar, 1 colher de água de flor de laranjeiras ou de rosas. Pistache, nozes ou amêndoas, violetas ou rosas cristalizadas. Modo de fazer: aqueça ½ litro de leite, e depois coloque o arroz. Sempre mexendo até que esteja muito bem cozido. Agora acrescente o restante do leite, que deve estar pré-aquecido, o açúcar e continue cozinhando lentamente em fogo baixo até o leite secar; aí, então, misture a água de flor de laranjeira ou de rosas. Ainda quente, coloque no prato ou travessa, acrescente os pistaches, as nozes ou amêndoas, e as violetas ou rosas cristalizadas.

No caso brasileiro, há muitas receitas de arroz doce que não incluem tais essências aromáticas. Contudo, alguns mingaus de milho branco e de carimã, do Recôncavo da Bahia, têm incluídos nos seus preparos a água de flor de laranjeira.

Sem dúvida, a matriz africana é diversa e está além do dendê, ou das pimentas, pois, a ampla doçaria da costa mediterrânea da África espalhou-se pela Europa, e está na nossa mesa brasileira enquanto memória formadora dos nossos costumes e das nossas escolhas alimentares.

 

Recife, 10 de maio de 2015.

Raul Lody

Fonte: https://brasilbomdeboca.wordpress.com/2015/05/10/tao-doce-tao-muculmano-tao-brasileiro-o-arroz-doce/

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